
- Tu queres ouvir uma musica feita por mim ?
- Quero.. - respondi com um sorriso sincero de agrado.
Nem me ouviu.La estava ele ao meio da sala, entre mim e a porta,prendia a guitarra no seu colo,lembrando.me aquele que um dia fora.
O dedo roçou pelas cordas e um murmurio lento começou,no silencio que vinha das noites da cidade e enchia a casa.Lentamente o fio de musica ia engrossando. Era agora mais forte - agudo e desamparado como um choro aflito. Sussurava.me no coraçao coisas que nao sei explicar,mas que me deixava uma sensaçao dolorosa.
Levantei.me,de vestido branco,tao branco como as minhas faces, presa nao sei a que desgostosos pensamentos.Talves pensasse em fugir, pedir.lhe que nao tocasse mais aquela musica quase que desafinada e tao triste que atormentava a minha e a sua alma.
Mas na minha frente, alheio a tudo,fazia gemer na sua guitarra, a unica companheira que se permitia ter,as suas recordaçoes. O sol do que se ponha entrava pela porta e derramava sobre ele uma luz tremula. Erguendo e curvando o seu corpo como levando no vento,imerso nas notas que os seus dedos desfiavam; ficando nos bicos dos pes todo jogado para o tecto,fazendo as minhas lagrimas cairem.
Ele sempre fora da guitarra, da sua musica e da fama que um dia possuira e atraira multidoes.Nunca deixara nenhuma mulher permanecer no seu coraçao por muito tempo.
E eu sempre pertenci a ele, um homem que por me amar demais nunca se deixara pertencer a mim.