sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O guitarrista


- Tu queres ouvir uma musica feita por mim ?
- Quero.. - respondi com um sorriso sincero de agrado.
Nem me ouviu.La estava ele ao meio da sala, entre mim e a porta,prendia a guitarra no seu colo,lembrando.me aquele que um dia fora.
O dedo roçou pelas cordas e um murmurio lento começou,no silencio que vinha das noites da cidade e enchia a casa.Lentamente o fio de musica ia engrossando. Era agora mais forte - agudo e desamparado como um choro aflito. Sussurava.me no coraçao coisas que nao sei explicar,mas que me deixava uma sensaçao dolorosa.
Levantei.me,de vestido branco,tao branco como as minhas faces, presa nao sei a que desgostosos pensamentos.Talves pensasse em fugir, pedir.lhe que nao tocasse mais aquela musica quase que desafinada e tao triste que atormentava a minha e a sua alma.
Mas na minha frente, alheio a tudo,fazia gemer na sua guitarra, a unica companheira que se permitia ter,as suas recordaçoes. O sol do que se ponha entrava pela porta e derramava sobre ele uma luz tremula. Erguendo e curvando o seu corpo como levando no vento,imerso nas notas que os seus dedos desfiavam; ficando nos bicos dos pes todo jogado para o tecto,fazendo as minhas lagrimas cairem.
Ele sempre fora da guitarra, da sua musica e da fama que um dia possuira e atraira multidoes.Nunca deixara nenhuma mulher permanecer no seu coraçao por muito tempo.
E eu sempre pertenci a ele, um homem que por me amar demais nunca se deixara pertencer a mim.

Um amor

Podemos dizer o quanto precisamos de alguem?
O quanto amamos alguem, o quanto queremos bem?
Acho que isso nunca podemos dizer..nao ha maneira de dizer gosto de ti nesta quantidade e de ti de tal quantidade.
Quando gostamos, gostamos e ponto final.
Diz.se que o amor cresce de dia pra dia á medida que conhecemos a outra pessoa, mas tambem diminui.
Nao passamos a desgostar de alguem de um dia pra outro, sao os actos que nos levam a deixar morrer um amor ou a deixa.lo crescer livremente.
Eu pensei ter encontrado o meu amor,o tal e dei muito mais de mim do que algum dia dei.
O meu amor nao morreu mas ficou cansado e perdido.. e o tal?
Esse, ainda tem o meu amor.
Ainda tem o meu coraçao que bate devagar mas que ecoa na minha cabeça cansado de desculpas e promessas em vao.

sábado, 13 de outubro de 2007

Sinto a falta de ti

Sim, eu sinto falta de ti.
De um abraço que muito poucas vezes senti, o abraço forte e que me faz sentir segura, abraço de pai.
Do um olhar ternurento pra me animar quando estou em baixo.
De um conselho sobre as minhas decisoes, uma ajuda pra seguir o rumo certo na minha vida.
Sinto a falta de ti,pai.
Nao preciso de um amigo que me leve a sair e me pague um copo.
Nao preciso de alguem que mande uma mensagem quando se lembra e que nunca intervem na minha vida..preciso de um pai.
Preciso que preenchas o lugar que sempre esperou por ti.
Sinto a falta de ti,perto de mim.
Quando a solidao aperta e eu me vejo sozinha sem alguem pra quem correr.
Nao estas aqui pra limpar as lagrimas que caem sem que as consiga segurar de tanta que é a dor.
Sinto a falta de ti,de um amor paternal.
Um amor incondicional e que nunca me volte a magoar.

Desejo

Foi o teu olhar de criança expressiva e o sorriso maroto nos teus labios que fizeram me perder num mundo de desejo imoral.
Ja nao sou nada sem o prazer que tu me fazes sentir.É uma dança somente de nos dois,em privado.
Eu e tu deveriamos seguir as regras separadamente, mas quando nos encontramos o fogo toma conta de nos, o meu corpo ja nao é meu,é teu e tu conheces.me bem demais pra nao arrancar um gemido de mim.
O teu toque abrasa e marca minha mente,deixando.me completamente viciada em ti e no teu corpo.
É um prazer sem igual que nunca experimentarei com outro alguem,que nunca ousarei comparar com outro corpo.É muito mais que pura luxuria que se apodera de mim levando.me a procurar ate ao fim do mundo pra me satisfazer.
Nem que seja apenas mais uma vez.
Foi o teu olhar de criança expressiva e o sorriso maroto nos teus labios que fizeram me perder num mundo de desejo imoral e principalmente,proibido.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Fantasmas

Todos nos temos os nossos fantasmas.
E tu sempre seras o meu,que me persegue e magoa,agora mais do que qando eu vivia na ignorancia do calor da tua mao.
Gostava de arrancar este sentimento dentro de mim,porque a vontade de ser o que nunca serei consome a minha alma.
A vontade de ser um dia a filha que nunca fui,a filha que nunca serei.
Quantas vezes eu preciso do teu abraço e tu estas longe,muito mais longe do que a distancia de terras,é como se vivesses numa realidade diferente da minha.
O medo tambem tem o seu papel como fantasma,medo que percebas que nao sou a filha que querias ter, medo de nao ser suficientemente boa pra ti.. o medo de ser novamente perdida num espaço que nao o teu.
Leio e releio as tuas cartas porque trazem.me conforto e ajudam.me a nao chorar quando a solidão é maior do que eu posso suportar.. as vezes sinto uma carga nos meus outro e é pesada demais pra mim.
E ai,sinto falta de um simples sorriso,um abraço,um carinho minimo.
Uma restia de calor que aqueça o meu coraçao,que as vezes parece gasto demais pra idade que tem.
Precisava da presença do fantasma que eu dependo tanto.